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31 maio 2006

AUSÊNCIA

imagem em .: Lomografia Portugal


Até para a semana. (O coração vai andar por aí a saltitar à chuva com música no ar com bicicleta com morangos com chocolate com amêndoas com quatro imagens numa fotografia.)

25 maio 2006

VINTE E UMA VEZES PARABÉNS

Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns! Parabéns minha amora!

22 maio 2006

Que susto eles perguntaram se estava a gravar eu não faço ideia mas suponho que sim senão como poderia eu ouvir mas já estava quase a cair no sono e despertei continuava incomodado comichão permanente nos olhos sem conseguir respirar pelo nariz a cabeça a acusar o cansaço a falta de sono. A minha vocação é escrever exames de fazer rir (ou chorar?) professores.
Como dizer o silêncio no tom de voz do pensamento. Como dizer a ausência o vazio os suspiros. Como dizer a falta. Como dizer o tempo.

O vazio ecoa o vazio nas paredes ecoa o vazio estou vazio de vontade vazio.

16 maio 2006

Sonhei acordado à beira-rio deitado com a cabeça nas tuas pernas a comermos morangos a beijarmos lábios e morangos alma cheia maré cheia o rio ali tão calmo e canções no ar.

15 maio 2006

A rádio dizia-me os protagonistas encadeados pelo Sol olhei pela janela e chovia.

12 maio 2006

Uma semana mas parece um mês dez meses muitos meses demasiados meses.
As vozes eram tantas e até a própria e incitavam-no a levantar-se mas acomodado deixava-se ficar sentado na desconfortável cadeira de pau olhos fechados imaginando que via passar navios.

11 maio 2006

AQUI

Sem ninguém para quem sorrir quanto mais para andar de trombas.
Boa pergunta meu irmão mas que boa pergunta e sabes não tenho resposta para te dar encolho os ombros não olho para ti à volta à volta respiro fundo pronto só isso pronto. Tens razão e que posso eu fazer se não fiz ainda que tu bem me dissesses e sempre e eu como se nada continuando demasiado concentrado em estar assim. Mas ainda assim confesso não posso nem com toda a boa vontade que pudesse inventar compreender não me digas isso não me digas que pensas isso não me digas que me desejas isso e julgas isso o melhor para mim. Obrigado meu irmão por te preocupares demasiado às vezes mas pronto faz parte mas por favor não me digas que disseste isso eu não quero sequer pensar.

Estes dias em que caminho sempre lentos sempre lento eu a pressa só no pensamento a acção lenta lenta sempre os dias mesmos de como portas fechadas sem circulação de ar tecto escuro ou muito escuro de ameaças suspiro sopro respiro fundo sem conseguir encher os pulmões. Aquele incómodo perfurante como parafuso a chiar como faca a cortar gelo como imaginar e quatro dias quatro sentem-se uma eternidade incrível de vazio de falta.

10 maio 2006

ESTE ANO

Às vezes embarco num etnocentrismo num confortável etnocentrismo quando andando pensando esta estúpida cidade este estúpido país esta estúpida gente não me reconheço assim mas às vezes assumo confortável etnocêntrico revolta dirigida projectada e os olhos que vêem a cidade o país a gente não são bem os meus são os meus é certo mas não são os meus olhos de situação normal situação normal desejável coração confortado cheio quente. A visão que os olhos absorvem é certo foi-lhes oferecida imposta por mim e só por mim sei-o lamento-o e no fundo tudo depende os olhos vêem o que lhes é dado ver no contexto o quadro mental emocional que há por trás e digo não tenho dúvidas que os olhos veriam e pensaria que cidade incrível que país incrível que gente incrível se só o coração estivesse no seu lugar e antes em vez de estar como vazio sem a parte que lhe falta que precisa para viver para bater sem o coração ter por que bater.

Eu um ano de menos mas eu também mais amargo por exemplo e consciente o amargor deste ano em mim a aumentar e mesmo não sendo assim amargor e sem dúvida consequência o sentimento anterior acima descrito. Sou etnocêntrico porque estou amargo por causa de toute cette situation por minha causa e sem correr por não ter por que andar à chuva às vezes porque imprevisível. E as viagens amargas de garganta enrolada em nó três dias que parecem meses e meses quando voltei como explicar caí outra vez e por aqui ficando estando arrastando o seu cadáver nos cafés que fecham nos que ainda não fecharam.
Porque é que não me consigo lembrar de nada do que pensei? pensei e este pensamento cabia numa linha cabia justamente numa linha sem apertar a letra nem a espaçar demasiado uma linha harmoniosa uma linha apenas uma linha. E depois de um misterioso fantástico desaparecimento diz a senhora não se dirigiu para mim mas disse e eu achei Só o simples facto de estar aqui sem fazer nada a olhar em volta achei exacto ainda que a senhora seja a senhora e eu aqui sou ainda confundido do desaparecimento misterioso incompreensível mas apesar disso tudo certo algo um pouco sim certo.

09 maio 2006

Um dia
os prédios
levantaram as longas pernas por cima das pessoas
impedindo-as de entrar.
Então
caminharam para os montes
e sentaram-se
reunidos à volta de fogueiras.

08 maio 2006

Se viajar é preciso como digerir que algumas viagens devessem ser só bilhete de ida na caixa do correio só ir e não voltar bilhete de costas voltadas e não querer enfrentá-lo viajar sem regresso é preciso se o regresso for sopro suspiro condenação. Como digerir a volta a volta que não foi (nunca tal tinha acontecido) e a re-volta que teve de ser viajar é preciso mas o amor também é preciso.

E nem as sirenes cantam da mesma maneira. E tenho uma maçã na garganta tenho uma pedra na garganta tenho uma lâmina na garganta tenho um grito na garganta. A torneira que se abre e abre a torneira em mim como antes como sempre não deixou de ser. Porta casa porta elevador num virar de costas correr para longe tão longe lá longe e seco sempre calado sempre e seco.