"Christoph Ransmayr", Salman Rushdie, in Pátrias Imaginárias, p. 337, Publicações Dom Quixote
28 julho 2005
"De todos os pares opostos de ideias através das quais os seres humanos procuraram entender-se a si próprios, talvez o mais antigo e mais profundamente enraizado seja o mito eternamente antagónico da estase e da metamorfose. A estase, o sonho da eternidade, de uma ordem fixa nas relações humanas é o mito favorito dos tiranos; a metamorfose, o conhecimento de que nada retém a sua forma, é a força motora da arte."
"Christoph Ransmayr", Salman Rushdie, in Pátrias Imaginárias, p. 337, Publicações Dom Quixote
"Christoph Ransmayr", Salman Rushdie, in Pátrias Imaginárias, p. 337, Publicações Dom Quixote
25 julho 2005
imagem do filme Le Fabuleux destin d'Amélie Poulain

"Sans toi, les émotions d'aujourd'hui ne seraient que la peau morte des émotions d'autrefois"
Hipolito

"Sans toi, les émotions d'aujourd'hui ne seraient que la peau morte des émotions d'autrefois"
Hipolito
24 julho 2005
imagem em Radiohead artwork

Wake
From your sleep
The drying of your tears
Today we escape
We escape
Pack
And get dressed
Before your father hears us
Before all hell breaks loose
Breathe, keep breathing
Don't lose your nerve
Breathe, keep breathing
I can't do this alone
Sing us a song, a song to keep us warm
There's such a chill, such a chill
And you can laugh
A spineless laugh
We hope your rules and wisdom choke you
And now we are one
In everlasting peace
We hope that you choke, that you choke
We hope that you choke, that you choke
We hope that you choke, that you choke
"Exit music (for a film)", Radiohead

Wake
From your sleep
The drying of your tears
Today we escape
We escape
Pack
And get dressed
Before your father hears us
Before all hell breaks loose
Breathe, keep breathing
Don't lose your nerve
Breathe, keep breathing
I can't do this alone
Sing us a song, a song to keep us warm
There's such a chill, such a chill
And you can laugh
A spineless laugh
We hope your rules and wisdom choke you
And now we are one
In everlasting peace
We hope that you choke, that you choke
We hope that you choke, that you choke
We hope that you choke, that you choke
"Exit music (for a film)", Radiohead
23 julho 2005
imagem em Radiohead artwork

À refeição, exames, notas, classificações, médias, prazos, recursos, avaliações, escárnio de quem teve menos, inveja de quem teve mais, comparações... Senti-me incomodado, mas não disse nada. Limitei-me a virar a cara.
-"... porque houve montes de pessoal que foi para o exame a pensar: ah, eu tenho x à disciplina, por isso só preciso de tirar y no exame para ficar com positiva."
-"Pois... Há muita gente a pensar assim. Não é Tiago?"
Silêncio. Silêncio. A conversa continuando, entretanto, mas eu lembrando-me dos meus ímpetos mentais, na véspera. Naquela esplanada, levantar-me de repente, atirar com a cadeira para trás, atirar a mesa para a frente, atirar coisas contra vidros de forma a parti-los, torcer ferros, fazer muita força e esmurrar superfícies duras. Levantar a arca dos gelados acima da minha cabeça e projectá-la para muito longe, arrancar as árvores pela raiz, expulsar as pessoas dali e destruir tudo. No fim, não sobrar pedra sobre pedra.
De volta a mim, ali sentado, ontem como hoje, sem reacção. "É mais o que nos une do que o que nos separa". Pois.

À refeição, exames, notas, classificações, médias, prazos, recursos, avaliações, escárnio de quem teve menos, inveja de quem teve mais, comparações... Senti-me incomodado, mas não disse nada. Limitei-me a virar a cara.
-"... porque houve montes de pessoal que foi para o exame a pensar: ah, eu tenho x à disciplina, por isso só preciso de tirar y no exame para ficar com positiva."
-"Pois... Há muita gente a pensar assim. Não é Tiago?"
Silêncio. Silêncio. A conversa continuando, entretanto, mas eu lembrando-me dos meus ímpetos mentais, na véspera. Naquela esplanada, levantar-me de repente, atirar com a cadeira para trás, atirar a mesa para a frente, atirar coisas contra vidros de forma a parti-los, torcer ferros, fazer muita força e esmurrar superfícies duras. Levantar a arca dos gelados acima da minha cabeça e projectá-la para muito longe, arrancar as árvores pela raiz, expulsar as pessoas dali e destruir tudo. No fim, não sobrar pedra sobre pedra.
De volta a mim, ali sentado, ontem como hoje, sem reacção. "É mais o que nos une do que o que nos separa". Pois.
ANGÚSTIA
imagem em Radiohead artwork

A angústia causada pela distância. A angústia causada pelas condições. A angústia causada pelas recordações. A angústia causada pelos pensamentos. A angústia causada pela falta. A angústia causada
armário amor amáquina.
A angústia causada pela saudade. A angústia da partida. A angústia da distância. Angústia da distância. Da distância. Ância. Ânsia. Cabeça, boca, queixo, pescoço, ombros, braços, mãos, qualquer coisa inundando-me o peito (ao espelho) só de pensar em ti.

A angústia causada pela distância. A angústia causada pelas condições. A angústia causada pelas recordações. A angústia causada pelos pensamentos. A angústia causada pela falta. A angústia causada
armário amor amáquina.
A angústia causada pela saudade. A angústia da partida. A angústia da distância. Angústia da distância. Da distância. Ância. Ânsia. Cabeça, boca, queixo, pescoço, ombros, braços, mãos, qualquer coisa inundando-me o peito (ao espelho) só de pensar em ti.
21 julho 2005
ARRUMAÇÃO
A vizinha - "É sempre a deitar!"
Eu - "Tem de ser..."
E então pensando na irreversibilidade dos actos. Que depois de ter deitado para o caixote a parte desnecessária de dois anos tão grandes, pouco havia a fazer para a recuperar. E a outra parte, a parte que interessa destes dois anos, essa criteriosamente seleccionada e arrumada em sacos, amontoados na bagageira do carro. Como pode tanto ser reduzido a tão pouco?
Eu - "Tem de ser..."
E então pensando na irreversibilidade dos actos. Que depois de ter deitado para o caixote a parte desnecessária de dois anos tão grandes, pouco havia a fazer para a recuperar. E a outra parte, a parte que interessa destes dois anos, essa criteriosamente seleccionada e arrumada em sacos, amontoados na bagageira do carro. Como pode tanto ser reduzido a tão pouco?
19 julho 2005
Uma revelação assim, tão simples, que aliás já nem era segredo nenhum.
- "Tu tens lá alguma namorada?"
[1
2
3
momentos de silêncio - não sei dizer quanto tempo com exactidão]
Respondo: Sim.
E depois uma interrogação estúpida, gostas dela, mas de certeza? e eu claro que sim e a conversa ficou por aqui. A publicidade da televisão era muito melhor.
- "Tu tens lá alguma namorada?"
[1
2
3
momentos de silêncio - não sei dizer quanto tempo com exactidão]
Respondo: Sim.
E depois uma interrogação estúpida, gostas dela, mas de certeza? e eu claro que sim e a conversa ficou por aqui. A publicidade da televisão era muito melhor.
16 julho 2005
foto por Simon Larbalestier

Sinto-me como se não existisse. Os dias vão passando, sem eu ter bem a noção do tempo. Tudo parece esgotar-se demasiado rapidamente. As pessoas que aqui estão hoje, onde estarão daqui a um ano?
Não (vos) quero perder. Não quero perder-me. Uma espécie de saudades do futuro. A falta do que está para vir.
Expectativas. Esperanças. E tudo o mais que(m) acontecer.

Sinto-me como se não existisse. Os dias vão passando, sem eu ter bem a noção do tempo. Tudo parece esgotar-se demasiado rapidamente. As pessoas que aqui estão hoje, onde estarão daqui a um ano?
Não (vos) quero perder. Não quero perder-me. Uma espécie de saudades do futuro. A falta do que está para vir.
Expectativas. Esperanças. E tudo o mais que(m) acontecer.
