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31 dezembro 2005

O meu balanço: o ano que acaba foi um ano bonito. Graças a ti.

Segunda resolução para o ano novo: obrigar-me a fazer tudo por.

A MINHA RAINHA (E PORQUE NÃO PRINCESA)

Certa ocasião quis inovar e debateu-se com um dilema que palavra empregar princesa ou rainha rápida reflexão e decidiu-se ainda que sentisse na altura e agora ainda que se calhar talvez porventura não tenha feito a escolha que o deixe mais satisfeito consigo próprio. Rainha por símbolo de nobreza de carácter de maturidade por essa majestade que faz sentir pequeno quem está ao seu lado essa vontade de anulação do eu em favor da nossa rainha aquela por quem faríamos tudo o que fosse necessário. Princesa não empregue sinceramente sem razão de grande pertinência assim imediatamente lembra-se apenas que caramba a princesa é enquanto princesa a figura número dois da rainha por isso sim rainha rainha número um maior e mais que tudo e todos sim minha rainha. E a dúvida porque as princesas normalmente são mais bonitas que as rainhas isso também porque as rainhas são mais velhas que as princesas mas isso para aqui não tem relação nenhuma a rainha para quem falo é uma rainha mais bela que todas as princesas e tão nova ou mais ainda do que todas elas. A minha rainha é perfeita e nem sequer precisa de coroa. Eu amo a minha rainha.

30 dezembro 2005

Sem nada pensado somente este estado de espírito bonito também porque escrevo para varrer para empurrar para baixo tudo o que foi e não vai voltar a ser. Apetece-me cantar a todo o mundo tudo o que vai cá dentro mas agora só agora cantar muito alto para toda a gente saber e sentir o vento nas orelhas enquanto lá de cima grito e esperneio e as pessoas cá em baixo olham e não percebem o que está ali.

Já disse e já pensei e já cheguei à conclusão que não tenho palavras suficientes para escrever esta comichão interior este agitar de todos os músculos esta euforia impossível de conter esta felicidade. Esta capacidade surpreendente e incrível de poder fazer tudo ser toda a gente e ir a toda a parte. Esta vontade.

Fotos e máquinas e fotos pequeninas e fotos pequeninas de pequeninas lindas lindas ontem lindas hoje como ontem. Fotos que deixam assim quem assim partilha tão bonita simples única especial singela emaranho-me nos adjectivos já sei que não tenho palavras um dia hei-de começar a inventá-las.

Primeira decisão para o ano novo: não por nada vou voltar a.

29 dezembro 2005

PALAVRAS QUE TIRAM PARVOÍCE

"The Melody At Night, With You,

I Loves You Porgy, I Got It Bad And That Ain't Good, Don't Ever Leave Me, Someone To Watch Over Me, My Wild Irish Rose, Blame It On My Youth, Meditation, Something To Remember You By, Be My Love, Shenandoah, I'm Through With Love."

Obrigado*

26 dezembro 2005

NÃO CHOVE CHORO

Amanhã e logo. Amanhã não vai poder ser. Assim. Subitamente vejo-me a cortar a minha própria garganta. Ou então pendurado de uma janela. Ou então afogado. Desfeito no pavimento. Como uma obsessão. Como uma segunda terceira quarta última prioridade que se fartou de estar metida na prateleira ou não na prateleira na gaveta sim porque na gaveta nem à vista está metida na gaveta bem lá no fundo por trás e por baixo de coisas desinteressantes e velhas coisas que já não interessam se alguma vez chegaram a interessar.

Aqui onde me sento vou ficando coberto de pó.

Tremores no peito e nas mãos que se enganam demasiadas vezes. Pensamentos negros como as nuvens lá fora. Já era altura de. A cama está desfeita e eu sentado nela a cabeça entre as mãos só mostra que não posso ouvir música qualquer dia corro tudo ao pontapé vai tudo para à rua tudo desfeito e depois ainda salto em cima dos destroços e no final mastigo-os com a alegria com que mastigo as enormes colheradas de vidro que me vão servindo. Amanhã? (Como quem diz É optimo estar ctg...)

[Surpresa explosiva rasga-me as entranhas para quê tanta desilusão para quê tanto isto para quê tanto tudo não podia eu só explodir comigo mesmo desfazer-me de uma vez por todas desaparecer para nunca mais lágrimas à noite para nunca mais estas patetices estes exageros estes filmes já vistos. Estou farto]

Amanhã não vai poder ser.

Isto no fundo é só uma dorzinha de nada há-de passar eu não posso ler tantas coisas em tão poucas letras.

24 dezembro 2005

54 ≥ 754

"Into temptation, over in doubt
Black night, neonlight into my house
Talkin talking talking about
Out of frustration, over in doubt
Hold me now, I'm hoping that you can explain
Little Arithmetics
Got me down, they're fooling me again and again
Little Arithmetics
Got me down

Sometimes I feel like going down South / Sometimes I'm feeling alright
Sometime I feel like I'm over and out / Sometimes I'm losing my mind
Talking talking talking about / Sometimes the day is the night
Into temptation, over in doubt / Sometimes I don't wanna fight

Hold me now
I'm hoping that you can explain
Little Arithmetics
Got me down, they're fooling me again and again
Little Arithmetics
Got me down"

dEUS, "Little Arithmetics"

AUTO-AJUDA

Os pés juntos juntinhos quase um por cima do outro no assento de um banco pequeno para os dois lado a lado o banco nem demasiado alto três ou quatro pernas de madeira o assento esse pequeníssimo para sustentar o equilíbrio. A corda áspera magoa na garganta já não faltará muito para que magoe definitivamente e depois se esqueça afinal era só uma corda e no entanto a aspereza com que magoa parece que trinca o pescoço. Agora já um pé cabe no assento o outro levantado para trás como o artista que pontapeia a bola mas este não é artista nem pontapeia a bola este pé levanta-se para trás e pontapeia o banco debaixo do outro pé o chão que foge o ar não sustenta o corpo é a corda que na sua aspereza ferra os dentes no pescoço. O corpo cai no vazio olhos fechados com força tenta não pensar não respirar não se debater. Só uma sucessão de filmes de filmes repetidos de filmes já vistos.

20 dezembro 2005

COM O UMBIGO NA CABEÇA

A cidade amanhece como um fim de tarde. Naquela tarde quase noite voltei a tomar o caminho que fazia tantas vezes anteriormente o caminho mais burro que vai dar uma volta maior mas onde dá para ver a temperatura. A temperatura nem é o mais importante o mais importante é mesmo o facto de o caminho ser paralelo à linha do comboio e por isso dar para fazer o caminho sempre a olhar para os comboios e depois passar no viaduto por baixo da linha do comboio que de vez em quando está a passar e faz um grande ruído.

Quem me dera poder lamber os comboios lambê-los por fora lamber-lhes as rodas beber o óleo saborear-lhes as faíscas. Quem me dera beijar os assentos (Que nojo, sabes lá quem é que aí esteve antes) as paredes o chão as luzes fracas e as prateleiras para meter as bagagens. Quem me dera ser um comboio e levar pessoas a sítios onde não deviam ir a sítios onde os tivessem proibido de ir. Quem me dera adormecer abraçado aos carris confortavelmente deitado nas pedras que os separam.

Os lábios sabem-me a sangue. A noite já não é nada quando estás à espera.

19 dezembro 2005

A NOITE, O FRIO

Farrapo mas é Natal.

17 dezembro 2005

Andar sem tocar com os pés no chão.

13 dezembro 2005

MEMÓRIA

Porque há momentos na vida que são únicos e irrepetíveis e que por mais que queiramos não vamos poder voltar a viver como podemos voltar a ouvir uma música ou a ler um livro ou a ver um filme.

09 dezembro 2005

VERDADE SIMPLES PARA CONSUMO PRÓPRIO

Como o homem que se transformou em pássaro e voou para longe lamentando que não lhe tivessem cortado as asas.

06 dezembro 2005

HOMENAGEM

Apercebo-me que há pessoas que têm poesia dentro delas e da grande sorte que eu tenho por conhecer algumas pessoas assim. Até porque há pessoas que por mais livros que leiam nunca chegam a ter poesia dentro delas.

02 dezembro 2005

O MEU ANO SOLITÁRIO/ APENAS SÓ

Não consigo escrever o que tenho. Não é nada nada feito nada dito nada sou eu sou sempre eu é sempre assim a mesma coisa a mesma dor. Dói-me a cabeça e adivinho porquê não não adivinho porquê tenho a certeza porquê é sempre porquê sei que sim é sempre. E não é estar bem assim é estar como. Não é estar bem assim é estar como sem saber estar sem saber mas tendo a certeza por outro lado do que é. É sempre o mesmo é escusado adivinhar para quê porque é sempre o mesmo ou os ciclos. Tudo já de antes isto é no fundo tudo o que era já foi visto.

Hoje três meses depois tenho um título posso não ter muito mais mas tenho um título a bem dizer dois títulos não sei bem de quê não sei bem para quê surgiram-me. O Meu Ano Solitário. Ou então. Apenas Só. E acho tenho a sensação cá dentro que os dois me servem para falar destes três meses claro não de tudo nem tudo se insere num destes dois títulos mas grande parte sim a parte principal a maior parte.

O silêncio é só o silêncio e às escuras o silêncio por aí não importa o resto só o silêncio existe às vezes.

À pressa.