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24 abril 2006

PROTESTO

Com a infantilidade protesto como protesta quem fica deitado descalço a olhar o céu protesto o meu protesto pueril não tem reivindicações somente implicações e ainda assim protesto mudo silencioso cegado. Protesto com esta raiva de espiral retornando à sua origem esta descontentada raiva contra eu esta aquela eterna insatisfação mas eu deve ir com calma sempre pois claro. Define-se, perito em perder ao seu serviço provavelmente irá deitar tudo isso mesmo a perder mas pronto é essa a sua perícia é o que sabe fazer nunca soube grande coisa como foi que se tornou perito em isto.

Oito vinte e dezanove a luz há luz outra vez.

Perito em perder dizia a sua grande especialidade é portanto essa perder é como lhe digo se nunca soube de mim próprio começou cedo então (risos). Perdeu-se.

E há dias em que se sente como o outro aquele outro aqueloutro aquele com quem até se queria casar como é possível é assim mesmo como lhe digo casar sim e como ele alguns dias estas palavras estranhas séculos feiras clubes só concebe ser diferente tudo o resto tudo tão igual só a gratuitidade. Ah mas o que digo eu.

21 abril 2006

Os minutos passam aos pares. Eu qual Sísifo empurrando os ponteiros e sempre assim sempre tão assim sempre assim.

20 abril 2006

BILHETE DA FELICIDADE

As palavras que fazem o coração bater mais depressa.

19 abril 2006

VAI COM CALMA

E enquanto falava não me esquecia mas deixava-me cair e repetidamente ia-me buscar ao chão agarrava-me mas mãos trémulas caía outra vez e ao mesmo tempo experimentava impressionantes dificuldades respiratórias ofegante sem esforço incapaz de inspirar plenamente e depois expirar completamente este aperto esta tremura das mãos sempre a deixar-me cair ao chão e o ar sem chegar aos pulmões. Ninguém mo disse mas eu até já sabia e se me perguntassem não ia sorrir não de certeza na verdade nem sei bem o que ia responder é melhor preparar-me não tarda e dizem eles que para nunca mais não sei bem se para nunca mais se para alguma vez mais não sei mas sinceramente não quero saber só sei que. Aquela impaciência dormente aquele deambular parado aquela urgência dolência reincidência impertinente pertinência e tudo sem sentido achas acho sim claro completamente e por outro lado mesmo julgando ter ah! achado nada passa de isso mesmo bolas. E tudo estes dias revolvendo resvalando o pensamento contra as paredes murro sem mesa ou mesa não esmurrada e face minha própria não esmurrada e murros no ar o ar a molhar para se vingar. O silêncio e a música que não adequada o silêncio e a ausência a ausência só e quando não sei e pronto só mesmo embora cá dentro não e não inspira expira não consegue tenta e certo certo pronto só pronto. Redescobrir e repensar muito pensar e só boa noite nada mais e só e só e nada além de só e eu resiste porque nada palmatoada chega desliga e vai desliga-te. O excesso de velocidade que não paga multas e dá-me tanto prejuízo como se.

16 abril 2006

"Apesar de tudo"
exclamação.
interrogação.
reticências.

14 abril 2006

Mesmo nos dias em que Sol apesar de vento há sempre algo sempre alguém para me lembrar que O avô cavernoso instituiu a chuva...
A Lua a dançar o seu bailado hipnótico no espelho a grande velocidade. Eu só desejando ser um cão e roçagar-me pelo tapete da entrada a aspereza a tirar todas as impressões.

12 abril 2006

É tão bonito
o mar
amor
amar(-te)
*

09 abril 2006

Será que quem me fala em esfolar o rabo entende como é aflitivo não conseguir encher o peito de ar? Não não eu é que tenho a mania de idealizar sempre tudo... E o eterno retorno tiro na cabeça para o eterno retorno.

08 abril 2006

Queria poder ler deitado na cama antes de dormir e apagar a luz sem ter de me levantar.
Nunca tanto em tanto vinte ano como este senti estar sentado em cadeiras o corpo presente e tudo o mais ausente não mera distracção antes sim abstracção alienação a embalagem esta porcaria fica para aqui sentado em cadeiras o resto tudo o resto voa por aí viaja a quilómetros de velocidade a quilómetros de distância não quer estar aqui foge viaja. Quando as cadeiras onde me sento estão debaixo de neve só o corpo fica molhado o resto está deitado em ilhas ao sol na realidade está deitado em ilhas ao lado do sol da pessoa-sol quando chove no coração o resto vê-se respirar calmamente descansadamente tudo na vida seguro apertado na mão estes pedaços os que ficam para trás quem se importa viajo e não estou por aqui mesmo que me vejam sentado em cadeiras.

07 abril 2006

SOUS PIRO

Eu tinha pensado tanta coisa para escrever esperar espera que não se parece com nada. Aeroporto descolar o aeroporto descolou na minha cabeça e o corpo mortificado de autocarro para trás e para a frente à espera correr a rua o dia inteiro trás frente trás outra vez e ainda fica contactável contratável.

O em suspenso é fácil só até mais logo não te apresentes assim ninguém te quer ver assim tu não te queres mostrar assim. O sorriso que preenche todo o vasto espaço o teu sorriso quem julga que isto tudo é muito fácil havia de experimentar levitar sobre o Tevere (eu quase nós quase conseguimos não foi) na nossa ilha de sol ao sol.

E oh eu nem me importo nada. Eu nem me importo mesmo nada. Eu estou-me nas tintas (não me deixes) para. Suspiro estes suspiros que não me cabem nos pulmões. Não me deixes ser assim.

Um dia acordei cego. Um dia acordei cedo. Cego cedo. Cedo fico cego se não vejo. Cego cego cedinho de manhã.

Abandono. Triste não fazer nada. Sozinho feliz contigo (fugir).
É simples ver nestes momentos de clarividência cansada que consigo viver sem mim mas não vivo sem ti eu sou tu feliz.

04 abril 2006

SURPRESA

Plataforma onde não me movo a plataforma caminho mas não me movo realmente a plataforma vai esticando vai aumentando e eu fico para trás sem ficar parado no mesmo sítio na plataforma a de sempre a plataforma. E no caminho de que esqueci-me deixei para trás eu mesmo deixei-me para trás vim só corpo o espírito ficou bem entregue como guardadinho numa caixa de gelado. A chegada de tudo à volta a lembrar da guita na caneta verde o banho a água o chocolate o sumo o pão das estrelas. Bolas esqueci-me de mim numa ilha ao sol esqueci-me de mim num cappuccino na Feltrinelli deixei-me por aí no tram no crepe no gelado fiquei nas alheiras no bacalhau no chouriço já não me lembro onde foi a última vez que me vi aqui. Só na cama só um filme só esta noite. E adormecer a ver filmes e adormecer abraçado quente. Voltar a não conseguir plenamente respirar os suspiros mais largos que a boca maiores que a garganta a caixa torácica pequena pequeníssima para tanto ar a aspirar para tanta força a fazer para não. Os olhos a quererem sentirem mas quase não.