31 janeiro 2006
O que é demais também cansa e como há quem concorde quem compreenda quem partilhe quem lamente quem incite quem se desculpe quando não tem por que pedir desculpas o meu interior diz-me assim só assim Esquece os teus impulsos esquece o repentismo esquece seguir o que te diz o motor faz o que te mandam não faças o que sentes faz o que desculpa não faças o que desculpa esquece só os teus impulsos aquelas cenas de filme de história para contar ou para se orgulhar esquece surpresa isso tudo. Esquece.
30 janeiro 2006
Hoje outra vez Se eu soubesse o que sei hoje mas todos os dias e hoje só acordar com sabor a seda toque na pele imaginado.
Vê se as meias de lã estão na mochila as meias de lã não estão na mochila mas está outra coisa na mochila como é possível como é capaz não diz que sim diz que sim e até fala com sim e de sim e de vez em quando lembra-se e sempre como é capaz agora isto como como como dá-me vontade de vomitar o que como. A outro-eu revoada dança à volta dentro da cabeça pois porque porque não e se porque não também raios será que toda a gente mas porque é que serei eu serão os outros serão todos ou não será ninguém e só eu não acredito mas se calhar só sou só eu sou só eu. A verdade é que me recordo de ter ouvido que não podia nada garantido e o outro gosta sempre de puxar isso à lembrança desconfio que apenas só para me ver assim as luzes dos candeeiros confundem-se com a neve os traços saltam do pavimento para cima de mim as bicicletas pintadas no chão atravessam-se à minha frente ouço apenas os meus passos ressoar nas pedras caminho sozinho caminho faço o meu caminho faço sempre o mesmo caminho sempre sozinho sempre o caminho o mesmo sozinho.
Só chorando me canso suficiente para dormir.
Vê se as meias de lã estão na mochila as meias de lã não estão na mochila mas está outra coisa na mochila como é possível como é capaz não diz que sim diz que sim e até fala com sim e de sim e de vez em quando lembra-se e sempre como é capaz agora isto como como como dá-me vontade de vomitar o que como. A outro-eu revoada dança à volta dentro da cabeça pois porque porque não e se porque não também raios será que toda a gente mas porque é que serei eu serão os outros serão todos ou não será ninguém e só eu não acredito mas se calhar só sou só eu sou só eu. A verdade é que me recordo de ter ouvido que não podia nada garantido e o outro gosta sempre de puxar isso à lembrança desconfio que apenas só para me ver assim as luzes dos candeeiros confundem-se com a neve os traços saltam do pavimento para cima de mim as bicicletas pintadas no chão atravessam-se à minha frente ouço apenas os meus passos ressoar nas pedras caminho sozinho caminho faço o meu caminho faço sempre o mesmo caminho sempre sozinho sempre o caminho o mesmo sozinho.
Só chorando me canso suficiente para dormir.
27 janeiro 2006
MINIMAL
Só sei correr de medo quando as pernas não me respondem e os pés ficam presos ao chão parecendo que pesam como chumbo. Para não fugir de coisa nenhuma. Já nem me lembro quando comecei a ter medo terá sido não não pode isso foi muito antes a verdade é que não sei quando foi mas lembro-me de quando prometi que não ia morrer. Devo ter sorrido na altura um sorriso nervoso o sorriso de quem promete que não vai morrer agora que penso nisso. Deve ter sido na mesma altura essa em que tive muito medo pela primeira vez e chorei os meus receios como que para expurgá-los para limpar-me de tudo o que imaginava e começar a construir(-me) de novo. Agora quando choro é de desespero quando corro é de medo quando canto às vezes é quando choro.
Tenho momentos alturas pensamentos em que me vejo muito dignamente a ser esmurrado
um murro atira-me ao chão e eu sem uma palavra levanto-me limpo o pó da roupa e sorrio
outro murro outra vez no chão a boca dormente e torno a levantar-me com toda a calma do mundo
outro murro e
outro ainda estou no chão levanto-me já a custo mas sempre com a maior dignidade limpo a roupa não quero estar neste estado sorrindo sempre
mais um murro já não sinto a cara mas continuo a levantar-me indiferente e a ser agredido sem esboçar a menor reacção com um riso aberto nos lábios quase irónico quase cínico a desdenhar o empenho do meu agressor em me deitar abaixo.
Não há uma velocidade única para os dias porque tudo acontece tão depressa ou tudo acontece tão devagar e geralmente acontecem demasiado depressa as coisas que deviam acontecer muitíssimo devagar e as coisas que deviam acontecer devagaríssimo como que voam de tão depressa que acontecem. Às vezes uma hora e meia não é suficiente outras vezes uma hora e meia é demasiado e eu não sei o que fazer com uma hora e meia sem planos. Nessas alturas sonhos que não atingíveis sentimentos que não experienciáveis se não emoções únicas e maravilhosas os momentos mágicos nos momentos mágicos.
Tenho momentos alturas pensamentos em que me vejo muito dignamente a ser esmurrado
um murro atira-me ao chão e eu sem uma palavra levanto-me limpo o pó da roupa e sorrio
outro murro outra vez no chão a boca dormente e torno a levantar-me com toda a calma do mundo
outro murro e
outro ainda estou no chão levanto-me já a custo mas sempre com a maior dignidade limpo a roupa não quero estar neste estado sorrindo sempre
mais um murro já não sinto a cara mas continuo a levantar-me indiferente e a ser agredido sem esboçar a menor reacção com um riso aberto nos lábios quase irónico quase cínico a desdenhar o empenho do meu agressor em me deitar abaixo.
Não há uma velocidade única para os dias porque tudo acontece tão depressa ou tudo acontece tão devagar e geralmente acontecem demasiado depressa as coisas que deviam acontecer muitíssimo devagar e as coisas que deviam acontecer devagaríssimo como que voam de tão depressa que acontecem. Às vezes uma hora e meia não é suficiente outras vezes uma hora e meia é demasiado e eu não sei o que fazer com uma hora e meia sem planos. Nessas alturas sonhos que não atingíveis sentimentos que não experienciáveis se não emoções únicas e maravilhosas os momentos mágicos nos momentos mágicos.
24 janeiro 2006
ARITMÉTICA EM ATRASO
Um e um ou um mais um para além de ser sempre dois pode também ser dois resultando que é onze.
Il ne faut pas avoir peur parce que celui-ci toujours pour moi principalement pour moi et pour toi. Sur nous. Et je n'ai pas peur de ce que je sens.
Desastre ambiental tu és um falando para mim próprio isto foi só mais um que me ocupou o pensamento enquanto. Com a cabeça debaixo de água para aí ficas esquecido perdido em reflexões. Os dedos ficam engelhados mas nem notas estás tão em outro mundo o ideal das ideias dos cenários possíveis prováveis desejáveis das coisas que foram das que são e das que hão-de ser memórias recordações saborosas cogitações diversas diálogos imaginários. Despacha-te.
21 janeiro 2006
CLÁSSICO
Como perdendo ter na mão e não agarrar simplesmente sem pensar deixar fugir como saber na altura nada ninguém mas estúpido devia ter pensado sim muito estúpido devia ter pensado. Acorda é mais um dia ainda agora quando será olha para o calendário olha para o relógio suspira senta-se levanta-se volta a sentar-se caminha para um lado para o outro como preso numa prisão sem paredes. O menino que se portou mal e foi para o castigo e o castigo tão punitivo que o menino mesmo lamenta e se arrepende de ter feito o que não sabe por que fez só não queria estar tão de castigo. O diário em silêncio ou não necessariamente que tanto custa a passar estagnado como águas de pântano em si arrastando o seu cadáver e sem
[motivação rima com frustração]
rumo só andando apressado por aí atravessando nos semáforos já vermelhos de tão verdes ao ar. Nem corre de que vale nem vai já não quer só dormir assim o tempo passará mais depressa acredita sem pensar e ler e um pouco escrever mas agora mas agora obrigado ele próprio. Agora mais faz por ter de ser ou outro dia em frente ao espelho como homem (menino) duplicado desfaz a barba porque não tem mais nada para desfazer.
-São tão tristes as pessoas que almoçam sozinhas.
Tanto tempo depois por fim.
[motivação rima com frustração]
rumo só andando apressado por aí atravessando nos semáforos já vermelhos de tão verdes ao ar. Nem corre de que vale nem vai já não quer só dormir assim o tempo passará mais depressa acredita sem pensar e ler e um pouco escrever mas agora mas agora obrigado ele próprio. Agora mais faz por ter de ser ou outro dia em frente ao espelho como homem (menino) duplicado desfaz a barba porque não tem mais nada para desfazer.
-São tão tristes as pessoas que almoçam sozinhas.
Tanto tempo depois por fim.
20 janeiro 2006
19 janeiro 2006
09 janeiro 2006
PAPEL POR ESCREVER
Tenho medo de ferir o papel na sua brancura imaculada sinto fazê-lo tão errado a caneta que vai deixar nódoa para além o pulso pouco firme a caligrafia longe muito longe da solenidade do momento a inauguração de algo novo requeria a letra bonita e que nunca falhasse sempre que fosse necessário acrescentar algo à ordem dos dias. Porque me preocupo eu com estas questões uma agenda (não) é só uma agenda foi feita para se usar.
Obrigado*
Obrigado*
08 janeiro 2006
06 janeiro 2006
MENS AGITAT MOLEM
O desajeitado eternamente latente vem à superfície uma vez mais com algo de demasiado valioso nas mãos. Instantes em câmara demasiado muito demasiado rápida e antes que se aperceba já.
Pânico pavoroso. Repreensões mentais implacáveis. Nó na garganta sem gravata.
O som do tempo a parar se nunca experimentaram a paragem do tempo não conhecem o som muito característico muito rápido e breve é uma fracção de segundo como uma travagem brusca como um aspirar de todas as notas a passagem do som para o não-som pára o tempo e fica o silêncio. Não dura mais que nada é tão fugaz quão impressionante e frustrante. Quando o tempo pára as mãos tremem com aquela tremura que nunca as abandona mais muito mais forte muito mais intensa incapaz de qualquer raciocínio olhos turvos a percepção torna-se tão lenta pelo alarme ou então demasiado rápida e não há como dar resposta a tantos estímulos simultâneos.
Se fosse enumerar os disparates que consegue fazer em tão pouco tempo ninguém acreditava como há quem diga que há dias em que mais valia não sair da cama ainda que tenha que se apanhar o comboio para casa. Qual casa o meu coração sente-se em casa e perfeitamente protegido.
E no episódio anterior esse relativo à casa que o coração reclama como disfarçar o mal-estar com tudo éme dê o que se bebidas minadas vai assistindo naquela fantasia assaltos ataques tiros que me habituei a pensar como casa comportamentos promíscuos ou sou eu que ainda novo já velho e retrógrado e que agora no que me foi dado a ver onde estão todos quem são estes que nos olham desagradavelmente vai lentamente desaparecendo para jogos sexuais nos deixar entregues consigo perceber tudo o que as pessoas dizem a um bando de selvagens. [Cabeça entre os joelhos olhos fechados com tanta força que chega a magoar porque é que isto tudo não desaparece e não volta para nós todo o bem do mundo]
À medida que o comboio abranda o meu coração também.
Pânico pavoroso. Repreensões mentais implacáveis. Nó na garganta sem gravata.
O som do tempo a parar se nunca experimentaram a paragem do tempo não conhecem o som muito característico muito rápido e breve é uma fracção de segundo como uma travagem brusca como um aspirar de todas as notas a passagem do som para o não-som pára o tempo e fica o silêncio. Não dura mais que nada é tão fugaz quão impressionante e frustrante. Quando o tempo pára as mãos tremem com aquela tremura que nunca as abandona mais muito mais forte muito mais intensa incapaz de qualquer raciocínio olhos turvos a percepção torna-se tão lenta pelo alarme ou então demasiado rápida e não há como dar resposta a tantos estímulos simultâneos.
Se fosse enumerar os disparates que consegue fazer em tão pouco tempo ninguém acreditava como há quem diga que há dias em que mais valia não sair da cama ainda que tenha que se apanhar o comboio para casa. Qual casa o meu coração sente-se em casa e perfeitamente protegido.
E no episódio anterior esse relativo à casa que o coração reclama como disfarçar o mal-estar com tudo éme dê o que se bebidas minadas vai assistindo naquela fantasia assaltos ataques tiros que me habituei a pensar como casa comportamentos promíscuos ou sou eu que ainda novo já velho e retrógrado e que agora no que me foi dado a ver onde estão todos quem são estes que nos olham desagradavelmente vai lentamente desaparecendo para jogos sexuais nos deixar entregues consigo perceber tudo o que as pessoas dizem a um bando de selvagens. [Cabeça entre os joelhos olhos fechados com tanta força que chega a magoar porque é que isto tudo não desaparece e não volta para nós todo o bem do mundo]
À medida que o comboio abranda o meu coração também.