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30 julho 2006

ERRO DE CASTING

O lixo hospitalar dá-me vontade de dançar com compressas bailarinas de vestidos reveladores.

Eu sou lixo hospitalar quando a cabeça pousada na almofada e as costas nuas um martelo no ombro se aproxima de mansinho e me segreda Enfim... Não vale a pena... e eu demasiado cansado dos dias não consigo mais do que esticar o braço esboço de reacção papel sujo lixo.

Tou tar = poupar
Tar tas = tartes tortas
Tou tas = chanfrada

Penso logo existo.
Penso depois do banho.
A vaca come o penso mas a vaca não come o que penso nem tudo o que penso é comida.

25 julho 2006

E eu acho que era a única pessoa naquela sala que ainda se apercebia do passar dos aviões embora olhasse para cima e para trás e só encontrasse a janela fechada possivelmente as persianas corridas ou então fita autocolante opaca nos vidros sem perceber sequer se era dia ou noite mas para isso tinha sempre o relógio em frente para a esquerda para ver passar os aviões não a janela a persiana a fita opaca só me restavam os ouvidos para imaginar pássaros de metal a voar em círculos sobre a minha cabeça. Fico calado deitado olhos fixos nas luzes no tecto estas luzes brancas compridas frias não fazem barulho canto baixinho canções do corpo canções sem palavras só sons e tão tão bonitos para as luzes mas elas não respondem não querem saber de mim as luzes estão só para ali e eu deitado à espera cantando baixinho elas não falam comigo. E como para as luzes canto canções sem palavras só sons de filmes também quando ando pelos corredores cenas de filmes batem contra mim saltam para cima de mim atropelam-me numa confusão não escrevo mas ando com novelos de palavras pelos corredores não me debato deslizo só suavemente. A minha inconsciência em tons de branco tal e qual um mar branco um mar de leite como se houvesse um botão ligar desligar e tudo fosse branco de leite momentos antes e durante e momentos depois ou navegar nesse mar sem enjoo e sem linha do horizonte só branco por toda a parte branco tudo branco à vista. Depois a espera as intermitências da espera jacente esquecida de si própria três dois um não importa dorme não penses demasiado agora dorme esquece paciência espera violinos ou outros instrumentos quaisquer ainda os sons de filmes dos corredores das luzes canções do corpo sem palavras. Sem palavras - sem perguntas para as respostas não dadas [baque surdo] é tão mais fácil tão mais cómodo tão mais fácil.

17 julho 2006

Tão de tanto de tudo de toda a parte.

13 julho 2006

A distância da terra ao céu ou todo o dia o coração maior que o peito a querer cantar a querer saltar a quase rebentar.

11 julho 2006

CARDIOPATIA

Gostava que a cardiologia me explicasse a minha agonia.

ÁGUA

Às vezes com frequência variável a alma desaguava mesmo sem conseguir alterar as feições a atracção da mão pelo queixo e a respiração pesada de suspiros como se todos os dias fossem de tempestade e todas as noites de insónia e luta.

09 julho 2006

COMO NO SUPERMERCADO

A poesia mesmo ao lado dos cosméticos.

NOTA PARA SELF

E, que, tal, umas, v,í,r,g,u,l,a,s,,,?

07 julho 2006

COIMBRA REVISITED

Coimbra revisited
Sonho daquele beijo eterno em lugar incerto. Respiração respiração acelerada mãos em lume momentos suspensos passos tropeços tropegamente o peito a subir e a descer a máquina em permanente aceleração incomportável para esta a máquina fragilizada a precisar de reparação urgente ou só descanso preenchimento. O medo ou não propriamente medo mas receio temor do que sou e trago em relação em comparação frente a frente com o que eu-não sou imagem mental a confrontação com a expectativa que não posso evitar de mim próprio o cumprir de certas metas tiques traços características de personalidade. Remoinho de imagens e os olhos ávidos a sorver os ouvidos em êxtase ou bloqueio essencialmente isso uma náusea encantadora toques abraços remoinho beijos imagens palavras sons perguntas remoinho meias-respostas respostas incompletas ou respostas nenhumas chavões fugas para a frente para o lado são estas luzes falta de hábito o tempo que já lá vai e o que nunca foi e este ano. A revolta as incidências de deixar a boca aberta como ser roubado em casa todo eu sou indignação e ingenuidade e indignação e palavras presas no peito. Dêem-me a luz da noite e uma mesa redonda ou como noutras ocasiões aliás eu posso ver o futuro eu olho o futuro à minha frente a ter lugar relativamente claro ou então sou eu a pensar mais do que devo nisso mas eu acho que não era mesmo uma imagem do futuro. A cadeira é lugar de destaque para quem desejou estar visível mas logo deseja ficar invisível esconder-se frequência de actos falhados. Boca seca lembra improvável alvoroço de representação como se o mundo fosse um palco mas eu incapaz de subir a uma cadeira desço degraus ou rampas medianamente inclinadas.

é no fundo
Debato-me como um prisioneiro incompreensivelmente diminuído nos seus movimentos como se (bizarro!) estivesse metido num saco debato-me debato-me sempre mas o saco continua sempre a tolher-me os movimentos. Ou de repente como se nada passasse cá dentro e só lá fora observando a janela como um ecrã o filme que se vai desenrolando perante os meus olhos imenso contínuo arrastamento horizontal as paisagens de um país que já foi que já fui correndo inexpressivamente como num filme a janela como num filme.

Eu revisited
A banda sonora é a do homem que chega a casa cansado do dia cansado da vida o homem que pousa o coração para pegar na guitarra há alturas em que as coisas mais importantes são mesmo as mais importantes o fim do dia o fim da música o fim da vida. O fim de si próprio em suspiros a mão não descola do queixo da cara os olhos piscam não ainda não ainda nada o que me teve mesmo pleno significado foi aquela dor forte fininha incisiva no coração dor de ansiedade dor de paciência na espera dor de querer a dor do coração que espera para ficar cheio feliz. E no fundo que tonto apressado aos pulos antes do tempo decerto vai ficar cansado quando chegar à altura as pernas fraquejam-lhe e o mais certo é desequilibrar-se não basta o ridículo agora só mais isto. Hoje agora e sempre olhos em órbitas a explodir e a explodir em força para conter a explosão eminente. Hoje agora e sempre nó na garganta sem gravata a voz que é só uma as entoações que são várias variáveis dependendo da força do nó da gravata da garganta.

06 julho 2006

Começo

e não consigo.

01 julho 2006

Estranha forma de vida.