E eu acho que era a única pessoa naquela sala que ainda se apercebia do passar dos aviões embora olhasse para cima e para trás e só encontrasse a janela fechada possivelmente as persianas corridas ou então fita autocolante opaca nos vidros sem perceber sequer se era dia ou noite mas para isso tinha sempre o relógio em frente para a esquerda para ver passar os aviões não a janela a persiana a fita opaca só me restavam os ouvidos para imaginar pássaros de metal a voar em círculos sobre a minha cabeça. Fico calado deitado olhos fixos nas luzes no tecto estas luzes brancas compridas frias não fazem barulho canto baixinho canções do corpo canções sem palavras só sons e tão tão bonitos para as luzes mas elas não respondem não querem saber de mim as luzes estão só para ali e eu deitado à espera cantando baixinho elas não falam comigo. E como para as luzes canto canções sem palavras só sons de filmes também quando ando pelos corredores cenas de filmes batem contra mim saltam para cima de mim atropelam-me numa confusão não escrevo mas ando com novelos de palavras pelos corredores não me debato deslizo só suavemente. A minha inconsciência em tons de branco tal e qual um mar branco um mar de leite como se houvesse um botão ligar desligar e tudo fosse branco de leite momentos antes e durante e momentos depois ou navegar nesse mar sem enjoo e sem linha do horizonte só branco por toda a parte branco tudo branco à vista. Depois a espera as intermitências da espera jacente esquecida de si própria três dois um não importa dorme não penses demasiado agora dorme esquece paciência espera violinos ou outros instrumentos quaisquer ainda os sons de filmes dos corredores das luzes canções do corpo sem palavras. Sem palavras - sem perguntas para as respostas não dadas [baque surdo] é tão mais fácil tão mais cómodo tão mais fácil.
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