<body><script type="text/javascript"> function setAttributeOnload(object, attribute, val) { if(window.addEventListener) { window.addEventListener("load", function(){ object[attribute] = val; }, false); } else { window.attachEvent('onload', function(){ object[attribute] = val; }); } } </script> <iframe src="http://www.blogger.com/navbar.g?targetBlogID=8792885&amp;blogName=Suor+e+fantasia&amp;publishMode=PUBLISH_MODE_BLOGSPOT&amp;navbarType=BLUE&amp;layoutType=CLASSIC&amp;searchRoot=http%3A%2F%2Fsuorefantasia.blogspot.com%2Fsearch&amp;blogLocale=pt_PT&amp;homepageUrl=http%3A%2F%2Fsuorefantasia.blogspot.com%2F" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" frameborder="0" height="30px" width="100%" id="navbar-iframe" allowtransparency="true" title="Blogger Navigation and Search"></iframe> <div></div>

03 Janeiro 2008

O que fazes?
Eu falo sozinho muitas vezes todos os dias. Em frente ao espelho ou sem ser em frente ao espelho com e sem som quando estou a fazer outra coisa ou quando estou desocupado obsessivamente. Não me inquieto, inquieto-me. Exalto-me e discurso em silêncio acuso em silêncio desmascaro em silêncio. Denuncio a injustiça mais atroz e flagrante em absoluto silêncio. Sou o novo militante o resistente não conspiro inspiro e expiro e olho para o lado para não me consumir em ódio. Seria bom poder deixar de ouvir também. Eu digo porquê mas não sei porquê. Mesmo não dormindo sonho e subo numa corrente de ar com as nuvens mas chego ao tecto e bato com a cabeça as nuvens passam e continuam riem de mim que fico espalmado contra o tecto transparente do céu dos sonhos de outras paragens outras línguas e alfabetos outras pessoas e longe da maldição de viver rodeado de cobardes. Tantas coisas que a língua não sabe dizer tantas letras por inventar tantos anseios por cumprir.

V. teria mesmo que ser um monte de merda?
Outro dia sonhei que V. tinha morrido. Aparentemente, eu deixara o silêncio e por isso V. fugira para se atirar de uma ponte. Foi estranho mas foi bom. Eu sentia-me bem, mais leve aliviado por não ter mais de fechar a cara. Claro que sei que tal não seria possível, V. eleva o conceito de cobarde a limites até aqui desconhecidos e obviamente que não seria capaz de tal acto. Mas ainda assim nessa manhã deitado nos lençóis ainda aquecidos consegui sentir-me quase alegre com esse pensamento enquanto olhava em silêncio a minha mão em busca de qualquer significado.

Eu sou o meu maior mistério.
Fechei-me como uma barragem. Coloquei muros de cimento a conter a torrente tentei calar o pensamento e ignorar o peso dos dias a correr nas costas. Mas não há ser humano-máquina, o martírio é apenas uma concepção e um discurso soa bem melhor. Hoje porém as ideias como água galgam a barragem que sou, atingido o limite da sua capacidade, e seguem o seu curso natural na imensidão do nada, na imersão completa na plenitude da ausência. Uma barragem ultrapassada pelas águas e pelas ideias como um velho encharcado sentado num banco sem apoio para as costas cansadas sem outro apoio para os braços que não os joelhos sem apoio para o queixo que não as mãos sem apoio para os olhos que não o chão. Esta barragem sem mais utilidade que se prostra perante a natureza das ideias tinha talvez jurado combater a torrente, o linguajar gratuito e alarve da vida telenovelizada, a supremacia do valor absoluto do C a tudo o resto. E mesmo sentindo a manifestação como uma urgência, a barragem permaneceu imóvel e silenciosa, acumulando no seu interior uma massa incalculável de razões que lhe deixavam os maxilares doridos à noite, ao deitar. Uma barragem não chora, pois não, mas também não anda de comboio nem ama nem se questiona de vez em quando acerca do mundo ao seu redor uma barragem barra, e nada mais. Não pode ser saudável a vida de barragem.

Digam-me adeus, não me vão voltar a ver.

30 Dezembro 2007

Tenho em mim demasiados intervalos demasiados silêncios demasiados espaços por preencher.

17 Novembro 2007

Hoje celebro o tempo livre.

22 Setembro 2007

DECLARAÇÃO

"Mais même au point de vue des plus insignifiantes choses de la vie, nous ne sommes pas un tout matériellement constitué, identique pour tout le monde et dont chacun n’a qu’à aller prendre connaissance comme d’un cahier des charges ou d’un testament; notre personnalité sociale est une création de la pensée des autres. Même l’acte si simple que nous appelons «voir une personne que nous connaissons» est en partie un acte intellectuel. Nous remplissons l’apparence physique de l’être que nous voyons, de toutes les notions que nous avons sur lui et dans l’aspect total que nous nous représentons, ces notions ont certainement la plus grande part. Elles finissent par gonfler si parfaitement les joues, par suivre en une adhérence si exacte la ligne du nez, elles se mêlent si bien de nuancer la sonorité de la voix comme si celle-ci n’était qu’une transparente enveloppe, que chaque fois que nous voyons ce visage et que nous entendons cette voix, ce sont ces notions que nous retrouvons, que nous écoutons."

Da leitura que não fiz.

03 Setembro 2007

A puta da condição periférica.

31 Agosto 2007

DO QUE ME MÓI

O próprio acto de pensar a minha condição me cansa creio ter agora os dois pés no estádio da saturação e vou-me deixando lentamente enterrar nas areias movediças do meu pensamento. Simples respiração é esforço demasiado deixa-me extenuado sem forças para mais passo o dia sentado a olhar para os meus braços desmaiar e eu com eles e horas e horas de calor. Sinto um peso permanente sobre mim que me força os olhos para o chão me curva as costas me faz cerrar os dentes as mandíbulas sujeitas a uma pressão animalesca sedentas de mastigar sangue cortar ossos rasgar carne eu creio eu próprio me transformo uma vez por outra num animal que afortunadamente não chega a sair da minha cabeça.
Eu não suporto mais o peso da minha pele. Apetece-me despir o peso esmagador que exerço sobre mim deixar no chão para trás a minha pele como se fosse uma peça de roupa despir-me e deitar-me aliviado. Pesa-me a minha pele e pesam-me os dias pesa-me o entorpecimento do raciocínio pesa-me a carência e o espelho e o mar. Não tenho mais forças para aguentar um peso assim penso que se chegasse a conseguir deixar no chão para trás a minha pele como se fosse uma peça de roupa largava a correr para me rebolar e esconder nas ervas altas para que ninguém voltasse a encontrar-me e a obrigar-me a vestir a pele que parece me calhou em sorte. Não sou bicho habilitado a trocar de pele e creio que nem o quereria mas apreciava uma pele nova por assim dizer nova como quem diz fresca ou lavada e se eu não pudesse deixar no chão para trás a minha pele como se fosse uma peça de roupa e largar a correr pedia ao menos que me deixassem metê-la na máquina e esperar que a lavagem acabasse e depois vesti-la outra vez mas sem ser o mesmo era uma pele lavada e ainda húmida como a pele molhada de alguém que se banha polvilhada de pequenas gotas à superfície.
Se algum dia eu for preso preferia que me levassem mesmo para a cadeia a prisão domiciliária não poderia deixar de me saber a pouco e de me punir menos ainda é a força de hábitos e verões clandestinos a avassaladora ironia de férias ser descanso e féria ser dia da semana ou salário de trabalhadores que diferença faz um s na definição do tempo não deixa de ser cósmico digo cómico. Porque no entanto houve tempos em que me serviram os jogos de gato escondido com o rabo de fora eu mesmo desejei esta clandestinidade e genuinamente conformado para não ser nada porém eu já não sou eu que fui não quero dar mais esse passo para a desintegração falha-me a compreensão mordo a mordaça sinto urgência de indignação.

Escrita de outros dias/ Ridendo sed ne castigat mores
Por favor não me façam rir mais. Eu abano com a cabeça eu aprovo eu aplaudo eu faço o que vocês quiserem mas deixem-me parar de rir. Eu juro que beijo todos os santinhos que me puserem à frente eu lambuzo-os encho-os com o meu cuspo e fervor crente e eu ajoelho nas igrejinhas todas a que me conduzam aprendo umas rezas esmago-me debaixo os ícones da bondade deste superior bem universal eu faço umas oferendas e combinamos uns sacrifícios alguma porcaria há-de dar resultado que se veja nesta barriga cheia de riso.

21 Agosto 2007

Eu não queria aborrecer não era minha intenção interromper a telenovela ou meter-me à frente da luz estou só para aqui sentado em frente à janela olhos presos ao vazio como hipnotizado quase que artificialmente baixo o ritmo cardíaco e hiberno. Não sei se aborreço ou não braços estendidos e areia a escorrer por entre os dedos areia coisa estranha a lembrar outros verões nem pestanejo enquanto a areia continua a cair esquecido de mim olhos abandonados mantenho-me imóvel. Sinto forte cá dentro como um ciclo no fim insisti para comigo chamar-lhe ciclo de sociabilidade encontro-o encerrado ou a ponto de não me preocupa um quadrado depois um círculo que nalgum ponto se desprende e da circunferência resta um simples risco aí está a sequência do encerramento do ciclo sem mais nem menos música. É com indiferença que assisto ao sentido do actual que ser em estrangeiro é bastante melhor será tudo uma questão de moda
pausa comercial por falar em moda há que amar as marcas marcas marcas marcas mergulhar de cabeça nas lojas lojas lojas lojas fazer delas nossa bandeira nosso emblema mais vale uma loja na mão do que duas a voar
pausa comercial moda as vítimas quem usa quem moda vácuo areia telenovela moda janela café sapo moda moda moda até que a voz me moda.