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31 janeiro 2005

MOMENTOS

foto por barzin


Pele fresca.
Cabelo molhado.
O Sol entrando pela janela.
Música consoante o estado de espírito.
O cheiro do ópio soltando-se suavemente.
Nenhum pensamento.

E ficar assim, para sempre, indefinidamente...

30 janeiro 2005

BEIJOS

Gosto de ti. Gosto de te beijar.
Gosto de ti e de te beijar.

Não sei se foi sonho, se realidade, mas tenho a nítida sensação que os meus lábios tocaram os teus...

27 janeiro 2005

Doem-me os maxilares.

De (não saber o que) pensar.
De errar tantas vezes.
De te pedir desculpa.

E não o saber dizer de outra forma.

23 janeiro 2005

EU-MESMO

Eu. Eu como era. Eu, sem querer mudar. Eu aos poucos convencido. Eu já resignado. Eu, sentado à espera. Eu quase-menino. Eu sem chegar ao espelho para olhar. Eu decidido a só ver a obra final. Eu aos poucos espalhado pelo chão. (Eu gosto muito de ti. Eu adoro-te. Amo-te.) Eu silencioso. Eu com os meus pensamentos. Eu sem saber o que pensar. Eu ao espelho, (agradavelmente) surpreendido. Eu continuo eu próprio. Eu.

Eu cortei o cabelo.
Passa pouco das 18h da tarde, e já está uma lua fantástica.

18 janeiro 2005

PEDIDO DE DESCULPAS

Tenho de fazer um pedido de desculpas.

Desculpa Francisquinha por teres sabido deste blog da maneira como soubeste... É claro que eu te queria e ia dizer, mas não ainda, porque queria começar a escrever mais regularmente. De qualquer maneira, desculpa.

Cinquenta e três beijinhos muito grandes.

REFLEXÃO

Detesto estudar. Detesto os exames. Os exames são uma estupidez.
Qual é o jeito de uma palavra em que o xis se lê zê?

03 janeiro 2005

HOJE

Hoje despediram-se de mim "até nunca".
Hoje perguntei-te o que se passava e não quiseste dizer.
Hoje tive dificuldade em adormecer.
Hoje levantei-me e fui a uma aula onde não consegui escrever nada.
Hoje não encontrei nada realmente urgente para fazer.
Hoje tomei chá e fui descansar no rio (que estava tão calmo que nem parecia feito de água).
Hoje li num esplanada (e já decidi que vou voltar a fazê-lo).
Hoje fumei os meus pensamentos numa tarde fria.
Hoje encontrei-te quando não estava à espera e isso foi estranho.
Hoje agasalhei-me e senti-me desconfortável.
Hoje foi o primeiro dia "a sério" deste blog.
Hoje jantei cedo e pude tomar café descansado.
Hoje o meu "pai" disse que eu pareço uma mulher feia.
Hoje fui ao cinema e vi um bom filme.
Hoje vou ler antes de adormecer.

CINEMA

UM TEMPO PARA CAVALOS BÊBADOS (ZAMANI BARAYÉ MASTI ASBHA)
foto por TAGV


"Um tempo para cavalos bêbados", um fantástico filme iraniano.

MANIFESTO POR UMA ALEGRIA INFANTIL (INCONTIDA)

Saí cá para fora. Saí do calor. Do abrigo. Da mãe. Ainda mal abro os olhos mas já é para te ver.
Façam barulho. Não importa como, desde que haja ruído. Agitem os chocalhos. Dêem-me os brinquedos para a mão. Sou uma criança e aceito qualquer tipo de entretenimento em série, embalado em doses individuais de quantidade invariável recomendada. E dêem-me a papa e os alimentos esmagados e o biberão esterilizado com água ou leite.
Mimem-me!
Aturem os meus humores!
Amem-me!
Ainda sou pequeno, não sei cuidar de mim. Limpem-me. Tratem-me. Lavem-me.
Sou uma criança. Sou o futuro da mudança. Sou o fruto, a realização do amor.
Sou desejado (serei?).
Fico encantado com qualquer desenho animado. Não tenho capacidade para me concentrar e pôr o meu cérebro a trabalhar.
Apetece-me chorar.
Berro desalmadamente a qualquer hora. Berro enquanto tenho fôlego. Berro e depois adormeço cansado. E quando acordo já passou tudo, e volto a ser uma criança adorável e feliz.
Vistam-me bem. Tratem-me bem. Dêem-me banho com sabão neutro, não agressivo para a minha pele. Deixem-me fresco lavado e cheiroso. Mudem-me a fralda e deixem-me adormecer. Ou aqueçam-me o leite e dêem-me o biberão.
Dêem-me um irmão!
Quero um irmão para brincar. Para partilhar. Para chatear. Para educar. Para amar.
O meu pensamento é diletante e adormeço outra vez. Dêem-me o biberão ou eu choro e ninguém dorme cá em casa.
Vistam-me roupas muito macias. Com cores muito suaves.
Sou passado de mão em mão quando há visitas. Sou exibido com orgulho e amor. Sou bonito (modéstia à parte). Sou fofinho e querido. Desperto sentimentos paternalistas e enterneço os corações.
Sou projecto adiado de vários casais.
Sou inocente sem maldade. Sou (ainda) naturalmente bom.
Adormeço com um sorriso nos lábios. Sou extremamente feliz. Durmo descansado. Durmo confortado. Durmo a sorrir.
É essa a causa desta minha alegria infantil. Sou infantilmente alegre porque acredito no bem do mundo. Do meu mundo essencialmente bom e simples. Esta é a minha alegria infantil.
Alegria infantil. Todo o bem do mundo. Felicidade.
Amar e ser amado.
Esqueçam tudo o que sabem. Voltem a ser crianças. Sejam naturalmente bons e experimentem um pouco desta alegria infantil.
O futuro está em mim.