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27 fevereiro 2005

Acordar a pensar em sacos de plástico com a foto das pessoas. Sacos de plástico tipo-passe.

NÃO SE INCOMODE

Não se incomode.
Não sincomode.
Não sim comode.
Não. Sim. Comode.
Não.
Sim.
Comode.

O que significa "comode"?

20 fevereiro 2005

REGRESSO

De volta a este sítio especial. As saudades que trago comigo vêm agradavelmente suportáveis. A recordação de ti, de uma noite mágica, acalmam-me o pensamento e a disposição.

Resta esperar. Por ti.

15 fevereiro 2005

EM CASO DE INCÊNDIO (A FRIO)

Se não tivesse sido tão patético e risível, seria quase engraçado. É daquelas coisas que acontecem a muito (mesmo muito) pouca gente. E eu sou uma dessas pessoas. Paciência, aconteceu e agora não há nada a fazer. Daqui a uns dias tenho a certeza que vou conseguir rir do sucedido, mas por enquanto ainda é demasiado recente na minha memória.

Já não me sinto tão mal comigo próprio, e o pouco que ainda resta em breve desaparecerá, assim que o tempo se encarregar de me fazer esquecer este episódio. Porque é disso mesmo que se trata, de um episódio, daqueles que fica para contar. Um dos melhores dias das nossas vidas.

Agora apetece-me (e cada vez mais) permanecer neste mundo. Mas isto é mesmo assim, cíclico. Prometo que fico, se ficares comigo. Porque gosto muito (tanto [imenso]) de ti.

14 fevereiro 2005

EM CASO DE INCÊNDIO (A QUENTE)

Toda a vida sempre assim. Uma sucessão incoerente de "faux-pas" terríveis, que me perseguem e me torturam nos maus momentos. Atitudes irreflectidas e despropositadas. Sem pensar nas consequências. Irresponsabilidade acriançada imprópria e inadmissível em gente adulta.

Nestas alturas só me ocorre um ódio profundo e irracional pelo que sou, um sentimento de repulsa por tudo o que faço. Não mereço nada a não ser o pior do que tenho. Só me apetece mastigar as minhas lágrimas, decepar os meus membros, esbofetear-me com violência. Descaracterizar este ser ignóbil em que me encontro encerrado, sem hipótese de fuga ou reconsideração.

Nestas alturas só me apetece desaparecer da face do mundo. Mas antes beijar-te e levar comigo a recordação utópica de uma felicidade que não está ao meu alcance experimentar.

13 fevereiro 2005

OITO OU OITENTA

De manhã, mal. Depois de dormir, bem, mas sem ti. Todo o dia relativamente bem, numa emulação de felicidade mas sempre contigo no pensamento. À noite, mal e muito mal, e já contigo. Uma estupidez, a minha estupidez. Peço-te desculpa (que mais posso fazer?) e penso que tenho de mudar.

E no fim tudo bem, tudo quase-óptimo. Ainda bem que não és como eu...

11 fevereiro 2005

A parte escondida da lua mostra um vazio. O vazio que só tu preenches em mim.

08 fevereiro 2005

FRENTE A FRENTE

Sei de cor o branco da mesa e o verde dos azulejos. Sei de cor o tapete no chão, para onde fujo com os olhos e me perco por momentos. Sei de cor a cortiça da base de mesa à minha frente, que imagino afixada numa parede, preenchida com fotos ou outras recordações.

Sei de cor esta sensação de nó na garganta. De não saber o que dizer, o que pensar, o que sentir. De ver o azul e o vermelho dançar por cima da cama, sob os meus olhos líquidos.

MOMENTOS

Partícula de pó suspensa na luz que atravessa o corredor.

A música no quarto.

07 fevereiro 2005

AS MINHAS SAUDADES DE TI

"Tive saudades de ti", disse-te eu.
"Tiveste saudades minhas", perguntaste-me tu.
"Não tive saudades tuas, tive saudades de ti", disse-te eu.
"Nunca ninguém me tinha dito isso assim", disseste-me tu.
"As saudades são minhas, mas são saudades de ti", disse-te eu.