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07 julho 2006

COIMBRA REVISITED

Coimbra revisited
Sonho daquele beijo eterno em lugar incerto. Respiração respiração acelerada mãos em lume momentos suspensos passos tropeços tropegamente o peito a subir e a descer a máquina em permanente aceleração incomportável para esta a máquina fragilizada a precisar de reparação urgente ou só descanso preenchimento. O medo ou não propriamente medo mas receio temor do que sou e trago em relação em comparação frente a frente com o que eu-não sou imagem mental a confrontação com a expectativa que não posso evitar de mim próprio o cumprir de certas metas tiques traços características de personalidade. Remoinho de imagens e os olhos ávidos a sorver os ouvidos em êxtase ou bloqueio essencialmente isso uma náusea encantadora toques abraços remoinho beijos imagens palavras sons perguntas remoinho meias-respostas respostas incompletas ou respostas nenhumas chavões fugas para a frente para o lado são estas luzes falta de hábito o tempo que já lá vai e o que nunca foi e este ano. A revolta as incidências de deixar a boca aberta como ser roubado em casa todo eu sou indignação e ingenuidade e indignação e palavras presas no peito. Dêem-me a luz da noite e uma mesa redonda ou como noutras ocasiões aliás eu posso ver o futuro eu olho o futuro à minha frente a ter lugar relativamente claro ou então sou eu a pensar mais do que devo nisso mas eu acho que não era mesmo uma imagem do futuro. A cadeira é lugar de destaque para quem desejou estar visível mas logo deseja ficar invisível esconder-se frequência de actos falhados. Boca seca lembra improvável alvoroço de representação como se o mundo fosse um palco mas eu incapaz de subir a uma cadeira desço degraus ou rampas medianamente inclinadas.

é no fundo
Debato-me como um prisioneiro incompreensivelmente diminuído nos seus movimentos como se (bizarro!) estivesse metido num saco debato-me debato-me sempre mas o saco continua sempre a tolher-me os movimentos. Ou de repente como se nada passasse cá dentro e só lá fora observando a janela como um ecrã o filme que se vai desenrolando perante os meus olhos imenso contínuo arrastamento horizontal as paisagens de um país que já foi que já fui correndo inexpressivamente como num filme a janela como num filme.

Eu revisited
A banda sonora é a do homem que chega a casa cansado do dia cansado da vida o homem que pousa o coração para pegar na guitarra há alturas em que as coisas mais importantes são mesmo as mais importantes o fim do dia o fim da música o fim da vida. O fim de si próprio em suspiros a mão não descola do queixo da cara os olhos piscam não ainda não ainda nada o que me teve mesmo pleno significado foi aquela dor forte fininha incisiva no coração dor de ansiedade dor de paciência na espera dor de querer a dor do coração que espera para ficar cheio feliz. E no fundo que tonto apressado aos pulos antes do tempo decerto vai ficar cansado quando chegar à altura as pernas fraquejam-lhe e o mais certo é desequilibrar-se não basta o ridículo agora só mais isto. Hoje agora e sempre olhos em órbitas a explodir e a explodir em força para conter a explosão eminente. Hoje agora e sempre nó na garganta sem gravata a voz que é só uma as entoações que são várias variáveis dependendo da força do nó da gravata da garganta.

6 Comentários:

Blogger ana disse...

gostei muito do que escreveste...
bem vindo de volta!!!

Bjs

7/7/06 18:57  
Anonymous Anónimo disse...

bem vindo :)

como sempre bonitas palavras. as tuas

7/7/06 20:57  
Blogger tiago pimentel disse...

Muito obrigado às duas pelos comentários tão simpáticos! É óptimo estar de volta, acreditem!

9/7/06 23:10  
Blogger b disse...

Tenho a dizer que gostei muito deste texto. Tal como da "banda sonora". :) Música para os meus ouvidos, quer as palavras, quer os acordes. ;)
(Tu sais uma paragem antes de mim, no comboio :P)

10/7/06 11:54  
Blogger tiago pimentel disse...

Obrigado! Fico contente que tenhas gostado!

Isso de sair uma estação antes não é bem assim!... Depende de que comboio estamos a falar! É que eu vou sempre de regional!

Beijinhos!

10/7/06 16:48  
Anonymous Anónimo disse...

Amora!

O texto esta lindo!

Continua a escrever! Quero continuar a ler-te, continuar a amar-te...

Beijinhos!

17/7/06 09:32  

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