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03 janeiro 2008

O que fazes?
Eu falo sozinho muitas vezes todos os dias. Em frente ao espelho ou sem ser em frente ao espelho com e sem som quando estou a fazer outra coisa ou quando estou desocupado obsessivamente. Não me inquieto, inquieto-me. Exalto-me e discurso em silêncio acuso em silêncio desmascaro em silêncio. Denuncio a injustiça mais atroz e flagrante em absoluto silêncio. Sou o novo militante o resistente não conspiro inspiro e expiro e olho para o lado para não me consumir em ódio. Seria bom poder deixar de ouvir também. Eu digo porquê mas não sei porquê. Mesmo não dormindo sonho e subo numa corrente de ar com as nuvens mas chego ao tecto e bato com a cabeça as nuvens passam e continuam riem de mim que fico espalmado contra o tecto transparente do céu dos sonhos de outras paragens outras línguas e alfabetos outras pessoas e longe da maldição de viver rodeado de cobardes. Tantas coisas que a língua não sabe dizer tantas letras por inventar tantos anseios por cumprir.

V. teria mesmo que ser um monte de merda?
Outro dia sonhei que V. tinha morrido. Aparentemente, eu deixara o silêncio e por isso V. fugira para se atirar de uma ponte. Foi estranho mas foi bom. Eu sentia-me bem, mais leve aliviado por não ter mais de fechar a cara. Claro que sei que tal não seria possível, V. eleva o conceito de cobarde a limites até aqui desconhecidos e obviamente que não seria capaz de tal acto. Mas ainda assim nessa manhã deitado nos lençóis ainda aquecidos consegui sentir-me quase alegre com esse pensamento enquanto olhava em silêncio a minha mão em busca de qualquer significado.

Eu sou o meu maior mistério.
Fechei-me como uma barragem. Coloquei muros de cimento a conter a torrente tentei calar o pensamento e ignorar o peso dos dias a correr nas costas. Mas não há ser humano-máquina, o martírio é apenas uma concepção e um discurso soa bem melhor. Hoje porém as ideias como água galgam a barragem que sou, atingido o limite da sua capacidade, e seguem o seu curso natural na imensidão do nada, na imersão completa na plenitude da ausência. Uma barragem ultrapassada pelas águas e pelas ideias como um velho encharcado sentado num banco sem apoio para as costas cansadas sem outro apoio para os braços que não os joelhos sem apoio para o queixo que não as mãos sem apoio para os olhos que não o chão. Esta barragem sem mais utilidade que se prostra perante a natureza das ideias tinha talvez jurado combater a torrente, o linguajar gratuito e alarve da vida telenovelizada, a supremacia do valor absoluto do C a tudo o resto. E mesmo sentindo a manifestação como uma urgência, a barragem permaneceu imóvel e silenciosa, acumulando no seu interior uma massa incalculável de razões que lhe deixavam os maxilares doridos à noite, ao deitar. Uma barragem não chora, pois não, mas também não anda de comboio nem ama nem se questiona de vez em quando acerca do mundo ao seu redor uma barragem barra, e nada mais. Não pode ser saudável a vida de barragem.

Digam-me adeus, não me vão voltar a ver.

1 Comentários:

Blogger filipa disse...

Porquê?!

8/1/08 01:54  

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