Afundei-me, sim, obrigado às palavras enquanto lavava as mãos da gordura que as envolve e tentava respirar muito profundamente do tempo perdido das tristezas de um homem infeliz a precisar de muita atenção. Afundo-me, e suspiro enquanto me afundo olho à minha volta para os meus dias as minhas horas contadas e a minha terrível consciência enquanto lentamente me afundo. A superfície dos dias há muito que a não vejo desde que antes à tona do tempo conseguia ainda ser simultaneamente eu e outro. É isso que me falta hoje o ser eu e outro a coexistência pacífica de dois mesmos eus num só único espaço. Hoje já não é convívio é ruptura é o conflito que me dilacera entre as duas realidades de mim e ainda bem que estou de mãos vazias caso contrário esvaziaria o mundo de seres e significado. Não digas asneiras Tiago agarra-te arrasta-te não estás a ficar mais magro nem estás a ficar mais esperto não estás a ficar mais nada não sei bem o que andas por aqui a fazer.
5 Comentários:
vou substituir tiago por marta:)
Estás a ficar mais velho, isso é certo (estamos todos)...
Hold on. Também careço de significados. E de locais onde me agarrar. Apesar disso, porém, todavia, contudo.
gostei. como gosto sempre.
*
às vezes apetecia-me erradicar a relatividade do teu desalento. mas depois penso e sei que a maior parte dos felizes esqueceram de lembrar as coisas importantes...
olá, tiago.
sempre muito bem vindo.
substituir tiago, marta por braga e acrescentar:
mas isto é a vida, tenho que pegar em mim e levantar-me, porque ninguém o fará senão eu!
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