EVANGELHO
(Há muito tempo que a humidade no ar me impede de respirar.)
Eu não quero companhia, quero é que me deixem sozinho. Eu não quero que me acompanhem, quero é que me deixem, que se calem, que se afastem. A melhor companhia será a da minha sombra enquanto mesmo dela não me fartar (depois não saberei o que fazer). Não quero nada e não queria mesmo ouvir-vos, não queria saber de vocês, é verdade, estou-me pouco importando e acho que isto não é só da boca para fora só garganta é realmente verdade, que cansaço. Construam contentes as vossas igrejinhas de ícones cujos olhos vendados choram lágrimas de sangue por entre as pérolas e os porcos e os brilhantes. Disputem a vã glória do holofote, empurrem-se, saltem mais alto do que os outros e desçam mais baixo ainda do que a baixaria vos obriga. Deixem-me, deixem-se disso, não quero saber, se ao menos pudessem ver-se ao espelho se ao menos pudesse nunca mais vos ver.
Velha máscara feia de palhaço.
Eu não quero companhia, quero é que me deixem sozinho. Eu não quero que me acompanhem, quero é que me deixem, que se calem, que se afastem. A melhor companhia será a da minha sombra enquanto mesmo dela não me fartar (depois não saberei o que fazer). Não quero nada e não queria mesmo ouvir-vos, não queria saber de vocês, é verdade, estou-me pouco importando e acho que isto não é só da boca para fora só garganta é realmente verdade, que cansaço. Construam contentes as vossas igrejinhas de ícones cujos olhos vendados choram lágrimas de sangue por entre as pérolas e os porcos e os brilhantes. Disputem a vã glória do holofote, empurrem-se, saltem mais alto do que os outros e desçam mais baixo ainda do que a baixaria vos obriga. Deixem-me, deixem-se disso, não quero saber, se ao menos pudessem ver-se ao espelho se ao menos pudesse nunca mais vos ver.
Velha máscara feia de palhaço.
1 Comentários:
Agora que estás de férias podias brindar-nos com a tua prosa...
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