SAUDADES DE QUÊ
Por começar onde se o calor frio tremente se o frio penetrante quente aconchego desconcertante aquele perder de tudo mover-se sem sentido sem destino congelado o pensamento. Há houve pânico o disparar das rotações eu-automóvel de bater acelerado mas pedais sem efeito a direcção travagem brusca já só homem e com letra pequena já só eu pendurado agarrado a uma parede de cócoras será já não me lembro. Agarrado a uma parede posto de cócoras quase sinceramente já nem me lembro não me quero mesmo lembrar afastar somente a sombra da minha cabeça e tudo o que poderia ter feito como uma tortura tanto se tanto raiva um vazio o vácuo ventoso talvez só corrente de ar afinal ego eu espezinhado orgulho ferido mordido violado cuspido humilhado traumatizado os gritos presos na garganta riso nervoso choro contido explosões de emoções e demais turbilhões. Tomar a parte pelo todo abusar da linguagem o tudo que poderia ter sido feito se eventualmente tivesse sucedido que aquela desilusão dura a bater a fazer eco cá dentro cá dentro cá dentro a ira irracional. E a sonolência torturada sempre como uma tortura a incapacidade para ser uma parede para ser um muro aquele atrás de quem se esconde em quem se confia para ficar protegido na hora essencial de cócoras repito de cócoras agarrado a uma parede quadro mais ridículo. E ridículo é ser escravo como escrevo escravo da consciência não verdadeira liberdade escravidão da moda da marca do nome palavra mágica luz imensidão de possibilidades destinos palavras. Frases afirmações vómitos juízos de valor de falta de valor que imenso ponto carregado com que me debato de interrogação alguém percebe o que não se percebe esta escravidão não se percebe. Um dia ao acordar pronto era assim que lhe fazer agora e pensar porquê não adianta pensar a parte um parte a parte barreira e olhar para ela encolher os ombros seguir respirar aquela respiração para baixo funda enfim é a palavra. Ou a palavra é ser esquecida aquela e somente olhar para quem realmente é e aí parabéns isso sim para quem vale estar sempre. Por isso me canso de estar sempre à espera por isso não dou mais o ser à volta ninguém e cinzento rostos em onda cinzenta e algumas ténues linhas pretas em remoinho cansei-me não dou mais para ser isso não espero nada não digo mais.
Pensar em palavras como pensar em música escrever como quem improvisa a fluidez da criação canal directo do pensamento ao papel sem filtros de qualquer espécie não penso só sons só imagens só palavras improviso logo vejo o que sai a mão fascinada pelo pensamento segue o movimento ditado por não sabe quem só sabe que tem de mover-se assim que interessa questionar se se vê o pensamento tornar-se palpável qual maravilha maior que essa.
Pensar em palavras como pensar em música escrever como quem improvisa a fluidez da criação canal directo do pensamento ao papel sem filtros de qualquer espécie não penso só sons só imagens só palavras improviso logo vejo o que sai a mão fascinada pelo pensamento segue o movimento ditado por não sabe quem só sabe que tem de mover-se assim que interessa questionar se se vê o pensamento tornar-se palpável qual maravilha maior que essa.
2 Comentários:
Gostei da frase (de tudo, aliás) que falava nos juízos de valor, com falta de valor. Contudo, é tão recorrente que isso aconteça, em especial no nosso curso, que gostava que espelhos (pras pessoas se aperceberem da gravidade das suas palavras) fossem distribuídos. Se bem que, agora penso, será este também um juízo de valor sem valor? hmmmm, anyway, não me canso de dizer que adoro a forma como escreves e que adoro o que escreves. ;) beijinho*
"só sons, só palavras..."
também dentro da minha cabeça.
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