CARTA DE AMOR
Dias tristes. Dias de despedidas. Dias de suspiros. Dias de separação. Dias de chorar.
É angustiante viajar de comboio e desejar que ele não avance simplesmente pare não interessa porquê só para prolongar estes momentos (como por exemplo eu com a cabeça deitada no teu colo e tu mexendo-me no cabelo como só tu sabes e que bem que sabe) um pouco mais. Consciente que viajo para a perda. O desejo é tão forte e ainda assim o desconforto também há pessoas há mais pessoas que entretanto vão saindo. Estamos incomodados e estamos a incomodar. E no entanto o desejo é tão forte e a memória é tão fraca e parece que sinto tudo o que quero reter se vai apagando não quero ser um homem sem memória quero algo quero muito qualquer coisa que me lembre de ti e não é papel fotográfico são os sentidos os cinco.
Não chores. E eu está bem, e por acaso até estava mesmo bem mas claro que com o diminuir de uma distância e o aumentar da outra os olhos não mentem. Não mentem e denunciam o interior e paulatinamente começam a verter. E outra vez o filme repetido eu fico na plataforma da estação tu ficas à janela do comboio e os meus olhos choram. O comboio arranca não arranca a senhora vem atrasada ainda corre e consegue entrar e por isso o comboio mais um instante parado e eu parado também e claro as mãos nos olhos e as mãos e os olhos molhados. O comboio que começa a deslizar e a tua janela vem aí aproxima-se é esta passa agora por mim e tu acenando e eu soprando beijos. Eu a soprar beijos e a deixar já de conseguir respirar porque o ar não cabe no peito e ainda agora não cabe.
Eu queria fazer qualquer coisa mas não me ocorre nada só sair da estação e tentar não chorar mas como é impossível e vou o caminho para casa a chorar e farto-me de tentar disfarçar não faz mal que as pessoas vejam eu já não me importo com nada se isso me desse mais uns momentos contigo. Eu vou andando vou chorando. Eu estou guardado no teu coração tu amas-me vírgula nome e Eu também a ti! E tanto, tanto, tanto! TANTO! Tenho-te tão dentro do coração, tão profundamente! EU AMO-TE IMENSO!
Depois continuar para casa a chorar e em casa continuar a chorar mais até me acalmar porque o telefone pediu que eu falasse com ele. E vagueando pela casa vazia vejo que estou vazio como a casa vazia foi-me arrancado um pedaço o maior pedaço o pedaço que faz de mim o que sou o meu pedaço favorito de mim tu. Tu, meu amor.
Hoje já ontem vi a nossa casa passei de propósito da rua para ver a nossa casa a casa que agora já não é nossa e as janelas estavam abertas e eu da rua vi um bocadinho uma nesga do meu quarto e um bocadinho do teu também e de repente assustei-me apareceu uma mulher a fechar a janela da tua parte. E não posso deixar de me tentar lembrar de tudo o que aconteceu naquela casa a nossa varanda onde nos sentávamos em noites de luar a beber e a fumar e a tirar fotografias e a música a música a banda sonora da nossa casa há músicas que não consigo deixar de associar a momentos e por isso custa-me ouvir certas músicas custa-me ouvir certos álbuns. Mesmo assim estou a ouvir Exílio o nosso Quinteto Tati que tu ao princípio não gostavas de ouvir mas que acabaste por gostar tanto como eu e lembro-me como se fosse hoje quando to enviei por correio e depois a tua surpresa ainda na altura não nos passava pela cabeça e Porquê isto? e Porque te amo.
Já falta pouco.
AMO-TE*
É angustiante viajar de comboio e desejar que ele não avance simplesmente pare não interessa porquê só para prolongar estes momentos (como por exemplo eu com a cabeça deitada no teu colo e tu mexendo-me no cabelo como só tu sabes e que bem que sabe) um pouco mais. Consciente que viajo para a perda. O desejo é tão forte e ainda assim o desconforto também há pessoas há mais pessoas que entretanto vão saindo. Estamos incomodados e estamos a incomodar. E no entanto o desejo é tão forte e a memória é tão fraca e parece que sinto tudo o que quero reter se vai apagando não quero ser um homem sem memória quero algo quero muito qualquer coisa que me lembre de ti e não é papel fotográfico são os sentidos os cinco.
Não chores. E eu está bem, e por acaso até estava mesmo bem mas claro que com o diminuir de uma distância e o aumentar da outra os olhos não mentem. Não mentem e denunciam o interior e paulatinamente começam a verter. E outra vez o filme repetido eu fico na plataforma da estação tu ficas à janela do comboio e os meus olhos choram. O comboio arranca não arranca a senhora vem atrasada ainda corre e consegue entrar e por isso o comboio mais um instante parado e eu parado também e claro as mãos nos olhos e as mãos e os olhos molhados. O comboio que começa a deslizar e a tua janela vem aí aproxima-se é esta passa agora por mim e tu acenando e eu soprando beijos. Eu a soprar beijos e a deixar já de conseguir respirar porque o ar não cabe no peito e ainda agora não cabe.
Eu queria fazer qualquer coisa mas não me ocorre nada só sair da estação e tentar não chorar mas como é impossível e vou o caminho para casa a chorar e farto-me de tentar disfarçar não faz mal que as pessoas vejam eu já não me importo com nada se isso me desse mais uns momentos contigo. Eu vou andando vou chorando. Eu estou guardado no teu coração tu amas-me vírgula nome e Eu também a ti! E tanto, tanto, tanto! TANTO! Tenho-te tão dentro do coração, tão profundamente! EU AMO-TE IMENSO!
Depois continuar para casa a chorar e em casa continuar a chorar mais até me acalmar porque o telefone pediu que eu falasse com ele. E vagueando pela casa vazia vejo que estou vazio como a casa vazia foi-me arrancado um pedaço o maior pedaço o pedaço que faz de mim o que sou o meu pedaço favorito de mim tu. Tu, meu amor.
Hoje já ontem vi a nossa casa passei de propósito da rua para ver a nossa casa a casa que agora já não é nossa e as janelas estavam abertas e eu da rua vi um bocadinho uma nesga do meu quarto e um bocadinho do teu também e de repente assustei-me apareceu uma mulher a fechar a janela da tua parte. E não posso deixar de me tentar lembrar de tudo o que aconteceu naquela casa a nossa varanda onde nos sentávamos em noites de luar a beber e a fumar e a tirar fotografias e a música a música a banda sonora da nossa casa há músicas que não consigo deixar de associar a momentos e por isso custa-me ouvir certas músicas custa-me ouvir certos álbuns. Mesmo assim estou a ouvir Exílio o nosso Quinteto Tati que tu ao princípio não gostavas de ouvir mas que acabaste por gostar tanto como eu e lembro-me como se fosse hoje quando to enviei por correio e depois a tua surpresa ainda na altura não nos passava pela cabeça e Porquê isto? e Porque te amo.
Já falta pouco.
AMO-TE*
4 Comentários:
Este comentário foi removido por um gestor do blogue.
nem sei o que dizer.
nas palavras maiores que conheço não cabe o quanto gostei deste sopro de amor.
não chores,pi. não chores.
um beijo de uma amiga.
(anseio por um amor assim.)
Martinha, muito obrigado pelas tuas palavras e pela força...
Eu nem sei que mais responder ao teu comentário... Há duas coisas que queria dizer: por um lado, como não chorar? Se calhar devia controlar-me mais, mas é o que eu realmente sinto...
Por outro lado, queria dizer-te (aliás, pedir-te) para não, para nunca deixares de acreditar no amor... Acredita que estou a torcer por ti, e que te desejo tudo pelo melhor...
Beijinhos de um amigo.
... queria dar os parabens pelo texto... geralmente nós os homens escondemos as nossas emoções por detrás de uma máscara indestrutível... por isso admiro a tua coragem para relatares o que sentes...
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